
Para apoiar os pacientes em tratamento, prevenir interrupções e reengajar aqueles que se haviam perdido do seguimento, o programa introduziu visitas domiciliárias consentidas em 23 unidades sanitárias de seis distritos da província — Pemba, Mecúfi, Metuge, Ancuabe, Chiúre e Balama. As visitas são realizadas por 135 conselheiros comunitários, formados para prestar apoio psicossocial, promover a adesão e reforçar a ligação entre os pacientes na comunidade e o sistema de saúde.
Rosa Abuchir, de 47 anos, residente em Muajaja (Chiúre), foi diagnosticada com HIV em 2022 e iniciou o tratamento no mesmo dia. Devido à longa distância até à unidade sanitária e à negação do diagnóstico, interrompeu o tratamento após apenas dois meses. Rosa aceitou receber visitas de apoio da conselheira Fátima, mas demorou muito tempo até compreender a importância de aceitar o diagnóstico e continuar o tratamento. Durante a sexta visita, Fátima — recorrendo ao Flipchart da Carga Viral e a uma grande dose de empatia — conseguiu ganhar a confiança de Rosa e motivá-la a regressar aos cuidados de saúde. Rosa foi reintegrada e reiniciou o tratamento em 2023.“Quando soube do meu diagnóstico, recusei-me a acreditar. A conselheira que veio a minha casa falou comigo com carinho. Explicou, ouviu e encorajou-me. Percebi que, com o tratamento, podia viver e ser saudável para sempre.”
Seis meses depois, tomando a medicação diariamente, conseguiu controlar o vírus e o seu resultado de carga viral tornou-se indetetável. Atualmente, Rosa continua em tratamento e, por ter carga viral indetetável, recebe a medicação e participa em consultas clínicas e de apoio psicossocial de seis em seis meses.
Até setembro de 2025, a Fundação Ariel tinha realizado mais de 15.000 visitas domiciliárias nos distritos apoiados em Cabo Delgado, conseguindo reengajar 13.500 pessoas nos cuidados — mais de 90% dos pacientes anteriormente perdidos do seguimento. Cada visita representa um passo concreto para restaurar a saúde e reconstruir a confiança entre as comunidades e os serviços de saúde.
Evidências de vários países mostram que programas de visitas domiciliárias têm maior sucesso quando os conselheiros comunitários são bem formados, acompanhados e integrados com as equipas das unidades sanitárias. Esta abordagem não só melhora a adesão e retenção no tratamento, como também constrói confiança, reduz o estigma e capacita as comunidades a desempenharem um papel ativo na manutenção do cuidado, na monitoria e na promoção da adesão, contribuindo assim para o controlo da epidemia do HIV.
Para a Fundação Ariel, as visitas domiciliárias são mais do que uma estratégia — são um elo vital entre a comunidade e o sistema de saúde. Com empatia, persistência e envolvimento comunitário, Moçambique avança cada vez mais rumo às metas 95-95-95, combatendo o estigma e a discriminação e garantindo que ninguém tenha de enfrentar o HIV sozinho.